quinta-feira, 15 de junho de 2017

COMO JESUS CRISTO É VISTO PELAS OUTRAS RELIGIÕES

COMO JESUS CRISTO É VISTO PELAS  OUTRAS RELIGIÕES 



A figura de Jesus não se conteve apenas ao cristianismo. Sendo reconhecido como um simples profeta, uma

encarnação de Deus até mesmo como um extraterrestre,

Jesus está envolvido na doutrina das diversas religiões.

Jesus no Judaísmo

A maioria dos judeus vê Jesus como um transgressor da lei

e um dos vários revolucionários da época que contestaram

a ordem social como Menahem ben Judah e Simão bar

Kokhba e que foram condenados à morte pelo Império

Romano. Muitos contestam o caráter messiânico de Jesus,

visto que ele não cumpriu algumas profecias para os judeus,

dentre as quais a que fala que o Messias só viria após a

construção do terceiro templo de Jerusalém (visto que o

segundo foi destruído pelos romanos). Para os judeus,

Jesus não ressuscitou, uma vez que, segundo eles, os

discípulos roubaram o corpo do túmulo enquanto os

soldados dormiam, e espalharam a notícia da ressurreição.

Outro fator de crítica é a mitificação de Jesus, vista pelos

judeus como uma paganização do judaísmo, onde Jesus

tornou-se um deus pagão dentro da crença judaica.

Já outros judeus vêem a figura de Jesus como sendo mais

um dos profetas enviados por Deus para restaurar o

judaísmo, corrompido pelos pagãos. Entretanto, há um ramo

do Judaísmo que reconhece em Jesus o tão esperado

Messias. Esse ramo é chamado Judaísmo Messiânico.

Os judeus

messiânicos reconhecem a figura de Jesus como o Messias

judeu, mas observam todos os preceitos da doutrina

judaica. Entretanto, o governo de Israel não os reconhecem

como uma seita judaica, classificando-os como cristãos.

Jesus no Islamismo

Maomé ora com Abraão, Jesus e MoisésNo Islã, Jesus toma

um papel fundamental no plano de Deus para os homens.

Ao elaborar a doutrina Islâmica, Mohammed incluiu

aspectos do Judaísmo, Cristianismo e Zoroastrismo, visto

que Meca - cidade onde ele vivia - era um ponto comercial,

o que também fazia da cidade um pólo cultural. Assim,

entrando em contato com diversas ideologias, Mohammed

elaborou os preceitos do Islã. Um desses preceitos diz

relação aos profetas, os enviados de Deus: Mohammed traço

u uma linhagem profética que começava com Adão e

terminava nele. A maioria dos profetas do Islã são judeus,

como Moisés, Elias, João Batista e o próprio Jesus. Jesus no

Islã é tido como um dos mais importantes profetas,

rivalizando com Mohammed. Segundo o Islã, Jesus é

muçulmano. A prova disso está nos evangelhos, quando

Jesus pede que seja feita a vontade de Deus, não a dele.

Uma vez renunciando a vontade humana para se submeter

à vontade de Deus, a pessoa é tida como muçulmana.

Dependendo do ramo Islâmico, Jesus é mais que um profeta:

ele é tido como o Messias. Para o ramo Xiita Jesus não é o

Messias, visto que o Messias ainda viria, como dizem os

judeus. Jesus seria apenas mais um dos profetas que Deus

enviou. Já para o ramo Sunita Jesus, além de profeta, é o

Messias que Deus enviou, e que no fim dos tempos voltará

para que ocorra o Juízo Final. Entretanto, os muçulmanos

como um todo não acreditam na ligação divina entre Deus e

Jesus, vendo no dogma da trindade uma criação da Igreja,

inspirada em tradições pagãs.

Em vários trechos do Alcorão Jesus é citado como sendo

um grande mensageiro de Deus. A seita Sufi dos Dervixes

chama Jesus de "Seiydna Issa", o Senhor Jesus, uma

expressão não ligada à filiação divina de Jesus, mas à

autoridade que vem de seus ensinamentos, transformando-o

num porta-voz de Deus.

A seita Islâmica dos Ahmadis prega que Jesus não morreu

na cruz, sendo Judas condenado em lugar do Mestre, haja

visto as condições quase que impossíveis para a condenação

de Jesus, devido a uma acusação sem fundamentos dos

sacerdotes, o que impossibilitaria a aplicação da pena de

morte. 



Jesus no Budismo

O budismo, como vimos, influenciou a ideologia de Jesus,

a ponto dos ensinamentos de Jesus serem comparados aos

de Siddhartha. Sob o ponto de vista budista Jesus é um ser Iluminado, um Buda, assim como ele é tido como o Cristo

(ungido por Deus) pelos cristãos. Algumas correntes budistas defendem que ele estudou com monges durante sua

juventude, construindo a base para os seus futuros

ensinamentos, dada a similaridade da sua mensagem

com a do Budismo. Outro fato que os budistas

defendem é o caráter meditativo de Jesus que, assim

como Buda, se retirava frequentemente para meditar.

Este ato tão simples é uma característica das religiões

orientais, visto que no Judaísmo geralmente as pessoas

iam para a sinagoga orar a Deus. Segundo os budistas,

assim como Siddhartha, numa dessas meditações Jesus

atingiu a Iluminação, tornando-se um Buda, após vencer

o demônio (o opositor) no deserto.

Como vimos, existem representações de um Buda como

sendo o "Bom Pastor". Como o Buda histórico não possui

nenhuma ligação simbólica neste sentido, é certeza que

os monges budistas cultuavam Jesus como um Buda.

Algumas escolas budistas estudam os ensinamentos de

Jesus juntamente com os de Buda, visto que a meta de

ambos era remover os obstáculos da vida espiritual dos

homens. Atualmente tenta-se encontrar um ponto em

comum entre a espiritualidade cristã e a budista, o que

está gerando uma campanha ecumênica pelo mundo.

Jesus no Hinduísmo

No Hinduísmo Jesus tem uma visão mais ampla dentro

da doutrina. Várias correntes hindus aceitam a figura

de Jesus como sendo um Avatar, encarnação de Deus

na Terra. Similar ao que acreditam os budistas, para os

hindus Jesus também foi um iniciado na filosofia Védica.

Para muitos hindus Jesus é uma das encarnações de Vishnu,

a segunda pessoa da Trindade hinduísta. Especialmente

para o movimento Hare Krishna - devido ao seu caráter

ecumênico - Jesus é uma manifestação direta de Krishna

(Deus), que envia um mensageiro para cada povo, afim de

que nenhuma parte do mundo fique sem a Sua mensagem.

Assim, Jesus é um dos enviados de Krishna para cumprir Sua mensagem pelo mundo. Uma das provas alegadas disso

é o caráter biográfico muito próximo entre Krishna e

Jesus, e principalmente os ensinamentos, que muitas vezes

possuem trechos idênticos.

Vários aspectos e simbolismos da crença cristã, como o

batismo nas águas do Jordão feito por João Batista e Jesus, segundos os hindus, é prova que tanto João quanto Jesus praticavam rituais de purificação védicos, visto que no

Judaísmo este tipo de ritual não existia, sendo ele

característico da religião hindu, onde até hoje vários

peregrinos vão se banhar nas águas do Ganges para se

purificar. Outras características, como rituais do fogo, o

caráter trinitário do cristianismo e o dogma da encarnação

são indícios de que o cristianismo foi influenciado pelo

hinduísmo.



Jesus na Fé Bahá’í

A Fé Bahá’í é uma religião ecumênica que surgiu na Pérsia,

atual Irã, em 1844. Criada pelo profeta Mírzá HusaynAli,

intitulado o Bahá’u’lláh (Glória de Deus, em árabe) a Fé

Bahá’í propunha ser a continuação do Islã, sendo que agora

a nova religião traria uma nova mensagem: Deus é um só

em todas as religiões, e Ele manda diversos mensageiros

para todos os povos da Terra. Unindo os principais preceitos monoteístas do Islã com as mensagens das diversas religiões,

a Fé Bahá’í tornou-se uma religião para os tempos modernos.

Assim como o Islã, a Fé Bahá’í possui uma linhagem de

profetas, entretanto, não mais se contendo à linhagem

abraâmica do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, adotando outros

profetas como Krishna, Buda, Zoroastro e o próprio

Bahá’u’lláh. Entre esses profetas encontra-se Jesus, que na

Fé Bahá’í é tido como um dos Messias enviados ao mundo

por Deus.

Devido ao caráter ecumênico, vários textos sagrados,

inclusive os evangelhos, são lidos nas Casas de Oração, o

Templo Bahá’í. A Fé Bahá’í não possui clero nem rituais,

sendo os encontros nas Casas de Oração momentos para a

leitura e reflexão dos textos sagrados. Para os Bahá’ís apenas a união dos homens pode acabar com os conflitos no mundo,

por isso a Fé Bahá’í propõe a unidade religiosa e política do

mundo, para cumprir do desejo de Jesus de "que todos

sejam um" (João 17:21).

Jesus no Jainismo

O Jainismo é uma religião dharmica que surgiu por volta

do Séc. X a.C. na Índia, com Mahavira, o Conquistador.

O curioso dessa religião é que a história de Mahavira se

confunde com a de Buda, pois ambos foram ascetas que se libertaram das paixões do mundo. Praticamente todos os ensinamentos budistas são encontrados no Jainismo.

O principal ensinamento jainista é a "não-violência",

onde, segundo seus adeptos, todas as formas vivas devem ser respeitadas, pois todas têm sua origem divina.

Engraçado que esta mesma "não-violência" jainista foi

utilizada por Mahatma Gandhi durante a Independência

da Índia, o que fez com que Gandhi seja tido como um

herói jainista.

No Jainismo Jesus é tido como um Jina, palavra que em

sânscrito significa "vencedor" ou "conquistador".

Simbolicamente é o equivalente à palavra Buda e Cristo.

Por sua doutrina e modo de vida, Jesus é tido como um "conquistador", visto que o próprio diz que

"venceu o mundo" (João 16:33). Sob o ponto de vista hindu,

budista e jainista, esta expressão significa que Jesus

se libertou das paixões do mundo. Tornou-se um

"Conquistador", um "Iluminado".

Jesus no Caodaísmo

Caodaísmo ou Cao Dai é uma religião sincrética que surgiu

no Vietnã em 1926, por Ngo Van Chieu. Segundo o

Caodaísmo só existe um Deus, cujo nome é Duk Cao Dai.

Seu símbolo é um olho esquerdo inserido num triângulo.

Segundo eles, Deus inspirou a criação das diversas religiões

no mundo, mandando vários mensageiros. A missão do

Caodaísmo é semelhante a da Fé Bahá’í, que é unir a

humanidade numa única crença, e assim construir a

paz mundial. Na doutrina caodaísta o envio dos mensageiros

por Deus é divido em três estágios: Jesus foi enviado no

segundo período junto com Buda, Confúcio e Lao-Tsé. Jesus

é tido como um ser divino, embora esteja abaixo de Duk Cao

Dai, assim como os demais mensageiros. Semelhante à Fé

Bahá’í, no Caodaísmo a mensagem de Deus para os homens

é uma só, embora seja explicada de modo diferente para

os homens devido à sociedade a que estes mensageiros

foram enviados. Por isso o conteúdo da mensagem de

Jesus é igual em essência ao dos demais enviados.

Devido ao seu caráter ecumênico, o Caodaísmo inclui

aspectos das demais religiões, assim como seus fundadores.

No panteão caodaísta, junto com Jesus encontram-se Buda,

Lao-Tsé, Confúcio e outros santos da tradição chinesa e

vietnamita. Ao contrário da Fé Bahá’í, o Caodaísmo possui

uma hierarquia religiosa semelhante a da Igreja Católica,

com padres, bispos, cardeais e até papa, mas possuindo

rituais próprios.



Jesus no Movimento Rastafári

O Movimento Rastafári foi criado na Jamaica por volta de

1930. Segundo eles, o imperador etíope Hailé Selassié é a reencarnação de Jesus. A origem divina de Selassié remota

ao tempo de Salomão, visto que ele realmente era

descendente do rei de Israel, e por fim de Davi. Salomão

teve vários romances, inclusive com a famosa Rainha de

Sabá, onde tiveram um filho chamado Menellek. Mais

tarde a Rainha voltaria a sua terra de origem com seu filho,

que por fim se tornaria o primeiro imperador etíope.

Nascido como Ras (Príncipe) Tafari (da Paz) Makonnen

(nome da família de Selassié), ao assumir o trono o 225º

imperador da Etiópia adotou o nome Hailé Selassié, que

significa "O Poder da Trindade", em etíope.

Para os Rastas, Hailé Selassié é a encarnação de Jah (Deus).

A palavra Jah vem do tetragrama sagrado YHWH, que está

presente na palavra hebraica HalleluJah, que significa

"Louvem ou Adorem a Deus". Dela veio a palavra "Aleluia".

Para os Rastas Selassié cumpriu as profecias judaicas sobre

a volta do Messias judeu, até mesmo sobre o 2° advento do

Cristo, visto que ele é tido como a reencarnação de Jesus.

Devido às suas origens judaicas, o Movimento Rastafári

prega a volta dos descendentes de Davi à "Terra Prometida",

que nesse caso é a África, visto que, segundo os rastas, os verdadeiros hebreus eram negros. Por esse motivo o

Movimento Rastafári atrai muitos afrodescendentes,

e tem crescido muito ultimamente devido ao gênero

musical reggae. Curiosamente, a maioria dos semitas

realmente são de pele escura, logo Jesus deveria ser no

mínimo moreno (e não o clássico Jesus de pele clara,

loiro e de olhos azuis que cansamos de ver pela nossa

sociedade ocidental). Dentre os títulos de Selassié estão

"Leão da Tribo de Judá", "Rei dos Reis" e "Senhor dos

Senhores", os mesmos que Jesus recebeu.

Jesus no Movimento Nova Era

Derivante da Teosofia, o Movimento Nova Era tem suas

bases no esoterismo e no gnosticism,o e propõe uma

união entre a espiritualidade ocidental e oriental.

Ele começou a partir dos anos 60, com a vinda das tradições

orientais para o ocidente. Teve início nos EUA e Europa,

ganhando mais força durante os anos 70 e 80 e se espalhando pelo mundo. Para os adeptos deste movimento, o mundo está

vivendo o fim da Era de Peixes, que é a era de Jesus

(o símbolo de Jesus era o peixe). Antes dessa era vieram a

Era de Touro (Simbolo de Krishna), Áries (Símbolo de Moisés)

e Libra (Símbolo de Siddhartha). Após a Era de Peixes

iniciar-se-á a Era de Aquário, a chamada Nova Era. Para o movimento, Jesus é um dos Mestres espirituais do mundo,

e está dentro de uma consciência maior, a qual chamam de

Brahman (Deus, no hinduísmo). Assim, ele não é uma

encarnação de Deus, mas uma emanação da consciência

maior, que tem como missão levar a Luz aos homens.

Para a Nova Era Jesus é a encarnação de Krishna e de

Siddhartha, visto que suas biografias, ensinamentos e a

missão messiânica são compartilhados por ambos. E mais,

com o fim da Era de Peixes - e iniciando a Era de Aquário –

o mundo precisará de um novo Mestre, que nesse caso

será o Cristo (Buda) Maitreya, que governará o mundo

nessa nova era de consciência. Assim, ao acabar a

Era de Peixes, Jesus deixará de ser o Cristo, e um novo

surgirá, o tão esperado Messias pelos judeus, o Iman

Mahdi para os muçulmanos, o Saoshyant zoroastra,

o Maitreya budista e o Kalki hindu.

Jesus no Movimento Raeliano

Eram os deuses astronautas; pelo menos é o que diz o livro

de Erich von Däniken e o Movimento Raeliano. Este último

começou em 1974, quando o jornalista francês Claude

Vorilhon recebeu a revelação dos Elohim (Aqueles que vêm

do alto) de que nada mais eram que extraterrestres. Segundo Vorilhon, ele foi visitado por Jesus, Siddhartha, Moisés e Mohammed, que lhe revelaram que não existe nenhum deus, e que os deuses e profetas das religiões nada mais eram que extraterrestres vindos de outro planeta para orientar a

humanidade viverem neste mundo criado por eles. Para o Movimento Raeliano, a única explicação para os milagres

das religiões é o fato de todos esses acontecimentos

sobrenaturais serem obra de uma avançada tecnologia extraterrestre. Por exemplo, a fecundação de Maria seria

uma inseminação artificial, os milagres de Jesus seriam

devido à capacidade mental superior dos E.T.s e a ascensão

aos céus seria a volta de Jesus à sua nave, afinal, não é todo

dia que vemos alguém subindo aos céus em direção a uma

nuvem luminosa.

Para Raël (nome que Vorilhon adotou após a revelação e

de onde vem o nome do movimento) a humanidade é

fruto da clonagem dos Elohim, por isso uma justificativa

literal para o versículo "Deus criou o homem à sua imagem;

criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher."

(Genesis - 1:27). Outro fato que justifica a visão de Deus

como sendo um E.T. é o fator profecias e visões. No Antigo Testamento, o próprio Deus apresenta-se em sua glória

movendo-se numa espécie de veículo de luz, no Livro de

Ezequiel, o que contradiria a visão de Deus como

onipresente, uma vez que o mesmo precisaria de um

"automóvel", mais precisamente uma nave, segundo o

Raelianismo. Para o movimento, a maioria das teorias

ufológicas têm sua confirmação nas próprias escrituras.

A própria visão do Apocalipse é uma das provas alegadas

do fato de Jesus ser um extraterrestre, pois o mesmo diz

que voltará entre as nuvens em sua glória e toda a Terra

o virá no dia do Juízo. Isso nada mais seria do que uma

invasão de naves na Terra, onde Jesus tornar-se-ia o

governante do mundo, assim como foi dito nas profecias.

Como vimos, Jesus é visto pelas religiões desde um profeta, passando por um extraterrestre até um Deus encarnado.

Mas um ponto comum entre todas essas visões muitas vezes antagônicas é o fato de sua missão ser comum, levar a Boa

Nova aos homens, que, por meio da sua mensagem - seja ela canônica ou apócrifa - torna o homem uma pessoa melhor,

fazendo-o nascer de novo. Se Jesus é divino ninguém

poderá provar, entretanto até hoje ele é um mistério

para todos, o que faz com que existam diversas

interpretações acerca de sua pessoa. Por mais que as

pessoas tentem definir uma imagem exclusiva do judeu mais importante da história, a vontade do mesmo é que cada um encontre e acolha sua mensagem da maneira que fará a

pessoa se sentir melhor. Seja tendo-o como um profeta,

seja como um mestre espiritual, seja como um Deus.






Jesus no Espiritismo

Há muitos questionamentos, principalmente de quem não é espírita, sobre como Jesus é visto e compreendido no Espiritismo Cristão. E a maneira mais simples, rápida e segura de responder é relembrarmos a pergunta 625 de O livro dos espíritos. Allan Kardec faz o seguinte questionamento aos espíritos: Qual o tipo mais perfeito que Deus já ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo?
E os instrutores espirituais, por sua vez, não titubeiam em responder: “Jesus”.

“Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque o espírito divino o animava, e porque foi o ser mais puro de quantos têm aparecido na Terra.”

Para nós espíritas, Jesus não deve ser amado como o “Cristo místico”, o “Jesus esotérico” inventado pelos homens, que dizem ter Ele ostentado um corpo fluídico carregado de mistérios e segredos caraterísticos de um Ser sobrenatural do suprassumo cósmico, Aquele que rompeu com as leis naturais ou físicas da Terra.
Na obra A gênese, item “Superioridade da natureza de Jesus”, Allan Kardec explica que o Mestre Maior, quando encarnou na Terra, esteve longe de apresentar-se com um corpo fluídico:

“Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível. A sua superioridade com relação aos homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava de modo absoluto a matéria e da do seu perispírito, tirado da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres (…).”

Bônus: Saiba mais no livro Em Nome de Kardec

Assim, novamente pela concepção espírita, Jesus é Espírito puro que já alcançou o grau supremo da perfeição. Jamais está passível de sofrer as nossas paixões humanas, pois que toda paixão na Terra está condicionada ao elemento material.

Assim, acreditamos ser equivocado pensar, por exemplo, em “paixão de Cristo”, já que Ele nunca sofreu de paixões como a raiva, o rancor, o ódio, o egoísmo, a inveja, as inseguranças, muito menos das paixões físicas como o frio, a fome, a sede ou mesmo a saciedade.

O amor do Cristo não é o amor passional, carnal, instável, intermitente, como o amor grosseiro dos homens. O amor de Jesus é de natureza espiritual, que só iremos conquistar quanto atingirmos o patamar de espíritos puros. Para isso, naturalmente, temos ainda muito chão a percorrer por meio das muitas reencarnações a cumprir.


Jesus, o próprio Deus?

Uma das grandes contradições evangélicas compreendidas pelo Espiritismo é, sem dúvida, a tentação de Cristo. Ainda em A gênese, quando Kardec explica os milagres de Jesus por meio de uma mensagem (do Evangelho de João) sobre a tentação de Cristo, ele deixa evidente que os milagres e as tentações crísticas foram ressignificadas por parábolas, que são produtos de narrativas alegóricas criadas pelos homens em suas épocas.

Allan Kardec nos ensina a nunca ler textos evangélicos ao pé da letra, e que devemos sempre separar deles as ingenuidades, fantasias e analogias tão comuns. Inclusive, sobre separar o joio do trigo literário, o próprio João Evangelista, quando encarnado, teve muita dificuldade de lidar com a compreensão da natureza espiritual de Jesus, classificando-o, erroneamente em seu Evangelho, como se fosse o próprio Deus. Isso fez nascer o dogma da Santíssima Trindade, já que João avivou Jesus como tão grandioso que julgou ser o Cristo o próprio Deus. Compreendendo as limitações do pobre João, todos esses enganos evangélicos ocorrem por causa da enorme dificuldade humana de se compreender a natureza de um Espírito puro como é o caso de Jesus.

O Evangelho – segundo o Espiritismo

Em 1864, Allan Kardec publicou a sua terceira obra espírita sob o título, O evangelho segundo o Espiritismo. Interessante observar que, para escrever este livro, ele utilizou-se da Bíblia Sagrada, especialmente da versão do novo Testamento interpretada por Le Maistre de Sacy, um sacerdote teólogo e humanista francês.

Mas afinal, por que Allan Kardec não a intitulou apenas de O Evangelho? Sabendo muito bem com o que estava lidando, Kardec organizou O evangelho segundo o Espiritismo tendo em mente que todo texto evangélico deve ser interpretado segundo uma teoria, ou seja, segundo a teoria espírita para interpretar o Evangelho.

Portanto, para nós espíritas, em coerência com os ensinamentos da Doutrina dos Espíritos – que exigem sempre balizas pela razão e pela fé raciocinada –, não podemos sustentar qualquer conceito evangélico de paixão ou de tentação de Cristo, muito menos que Jesus é o próprio Deus.

Jesus buddy Christ

Ao longo dos tempos, estamos ressignificando Jesus Cristo sempre de acordo com os nossos interesses pessoais e também sociais. O antigo “Cristo do juízo-final” (que é o Cristo condenador idealizado pelo apóstolo Mateus em seu capítulo 25) está literalmente fora de moda nos dias de hoje. E aquele Jesus da imagem do crucifixo – dolorosamente pregado na cruz – também está em completo desuso, sendo rebatizado pela expressão, wholly depressing, ou seja, totalmente deprimente.

Em contrapartida, o Cristo salvador, representando a salvação divina, está popular e em plena ascensão. Pelas ruas, é cada vez mais comum lermos: Este carro pertence a Jesus; Propriedade de Jesus; ou Só Jesus salva. Em verdade, com estas manifestações de terceirização, relegamos as nossas responsabilidades ao divino. A nossa atual relação com Jesus é, na maioria das vezes, egoísta, voltada aos interesses do eu…

Não se vibra mais pelo nosso País, mas por mim, pelo meu umbigo e pela minha família… A grande família terrestre, em busca da fraternidade universal, vem perdendo a sua identidade nos tempos líquidos de uma sociedade composta por eus… Temos hoje, como em tudo, inclusive nas leis civis, uma religião dos nossos direitos, mas nunca dos nossos deveres.

Queremos o Jesus legal, “pra frentex”, Jesus buddy Christ, Jesus Cristo amigo/umbigo e sempre ao nosso lado e de preferência sem nos exigir compromissos ou obrigações. Este parece ser o Cristo contemporâneo que estamos edificando na matéria…

Espiritismo cristão, a revivescência do Evangelho

Lembremo-nos que o Espiritismo cristão é a revivescência do Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo. Em sintonia com a crença espírita que abraçamos, observemos a necessidade de governarmos o patrimônio das dádivas espirituais recebidas do Plano Superior sempre com bom senso, a fim de não relegarmos valores celestes ao menosprezo, crendo que as nossas obrigações com Jesus se acham cumpridas. A nossa casa é o mundo inteiro e a nossa família, a humanidade…

Você pode conhecer mais sobre os espiritismo através das obras fundamentais: O livro dos espíritos, o Evangelho segundo o espiritismo, O livro dos médiuns e a Gênese. E no livro Em Nome de Kardec, você vai descobrir quais foram as razões do desaparecimento do Espiritismo na França.

Adriano Calsone http://vivaluz.com.br/blog/jesus-no-espiritismo/



Jesus Cristo no Candomblé


Religiões à parte, Jesus Cristo é respeitado por milhões de pessoas no mundo inteiro. Espíritas, umbandistas, messiânicos; entre outros seguidores de múltiplas doutrinas – o que não significa devoção e, ou submissão.

Figura que marcou a história da humanidade, Jesus Cristo é visto por muitos como filho de Deus. Espírito divino que encarnou e realizou milagres e pregou a palavra de seu pai – o que deu origem ao cristianismo e ao segundo testamento do livro sagrado dos cristãos: a bíblia.
Visto que essa figura é respeitada por muitos, mas não necessariamente cultuada – alguns candomblecistas acreditam nele. Essa crença está ligada ao coração e a fé. Mas, será que Jesus Cristo pertence culturalmente falando aos ritos do candomblé?

Ou melhor... Reformulando a pergunta: será mesmo que o candomblé pertence a Jesus Cristo? Essa é uma indagação que será respondida de forma simples para quem está entrando agora na religião, ou para aqueles que já estão há um bom tempo e ainda não tiveram uma conclusão.

Jesus Cristo não está inserido no candomblé. Saber sobre a bíblia não é matéria para candomblecista. Por outro lado, é bom saber sobre ela sim, para que a pessoa conheça mais as visões religiosas e algumas questões sociais de hoje em dia decorrentes do cristianismo. Mas, religiosamente falando, os deuses dos candomblecistas são os Orixás, Inkises e Voduns.

Nada contra ao candomblecista que acredita em Jesus Cristo! Todo mundo tem o direito de acreditar naquilo que bem entender. Mas, só para tirar essa dúvida de quem ainda não sabe sobre a resposta... A introdução de Jesus Cristo ao candomblé nasce no século XVI, lá no Brasil – onde os europeus inseriram aos escravos a chamada Literatura dos Jesuítas – catequizando-os então. Com esse episódio nasce o que conhecemos como Sincretismo Religioso.

É nessa época que Jesus Cristo passa a ser mesclado por muitos ao candomblé.

Mas, só para ressaltar... Culturalmente e religiosamente, nada tem haver um com o outro (o que não é uma proibição para quem quer acreditar).

Então, está aí a resposta para quem tinha a dúvida sobre essa questão.

Brad de Oxalá.

http://sociedadecandomblemoderno.blogspot.com.br/2011/06/jesus-cristo-no-candomble.html

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